Ilha da infância

Aos 16 já tinha passado por muito, mas agora era hora de ir.

O horizonte brilhante que a casa proporcionava a salvava todos os dias.

Os navios passando no fundo, combinando com o mar, faziam barulho de pôr do sol todos os dias, quando havia troca no porto.

Deitava-se na pedra da casa, e seguia com os olhos o astro ir para o lado poente.

O sino tocou na casa, e ela correu ansiosa pela ceia.

No jantar, a notícia. É hora de ir:

“Pra sempre?”

“Sim, agora é de vez menina!”

No outro dia o sol não apareceu, nem os navios.

Desceu as escadas feitas no barro, segurando a única lembrança daquele tempo na mão direita. A mão esquerda encostada no muro que cercava a casa descia no mesmo ritmo dos pés.

A lágrima foi inevitável. Mas foi uma só. Mas foi densa, e rolou difícil.

Entrou no carro e decidiu não olhar para trás, nem para o horizonte, só quis viver o agora.

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