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Arquivo do autor:volatilmente

não serei mais um pobre diabo que sofre de nobreza. só as coisas rasteiras me celestam. eu tenho cacoete pra vadio.
manoel de barros

sensíveis se apaixonam facilmente. sensíveis são lindos, são a segunda fase do romantismo, são principes y principesas do reino encantado das fadas rosa-bebê, que trazem em sua alma de pétalas o aroma das uvaias campestres das colinas de golã.

FIA DESCE DAI SUA BURRA

sensíveis são a raça mais desgraçada que existe para se gostar no planeta racional dos Homo sapiens sapiens. isso porque, cara, sensíveis não existem, eles são uma invenção daquelas chicletantes-blergh-vomitei-aqui comédias românticas hollywoodianas; daqueles clichês de final de novela das oito, nove sei lá que porra que chama agora e blá blá blá whiskas sachê.

bom, tirando esse recalque todo, se até manoel de barros (que iniciou esse texto, prestenção), um dos maiores nomes da poesia sensível brasileira, um dos mais mimimi nhe nhe nhem nhoc nhoc dos mais sensíveis do brazuca poetry planet se autodeclarou um vadio em potencial, quem são os outros seres da terra, que espalham bilhetinhos em post-its pela casa com chorumelinhas do tipo “bom dia, vida, o café ainda tá quente. te amo, coração”, ou marcam até a data que o outro fez o número 2 pela primeira vez no seu banheiro, ou cortam a unha do dedo do pé esquerdo do um…quem dentre esses seres mais previsíveis pode dizer que não tem um grau de canalhice nesta vida, pelamordedeus?

isso porque…sensíveis se apaixonam o tempo todo. por tudo. ATE POR CHEIRO DE GASOLINA OS SENSIVEIS SAO APAIXONADOS ô racinha desgraçada. ou seja, sensíveis são canalhas em potencial porque se apaixonam pelo jeito que você corta o cabelo. mas também se apaixonam pelo jeito que a outra cruza as pernas. ou pelo jeito que o outro passa creme no cabelo antes de sair pra beber com os amigos. ou pelo jeito que a ruiva espalha o perfume de papaya com cassis pelo ar ou… ad infinitum.

sensíveis se apaixonam até pelo jeito que você chama sua mãe de dindinha. sensíveis gostam de você. mas sensíveis gostam (também) de muitas (muitas, mas muitas mesmo) outras pessoas.

sensíveis gostam de tudo. e de todos. e de todas as maneiras. isso é lindo. só até aquela parte que eles (nós, sei lá), viram e, simplesmente lançam o fatídico e sentencial:

enjoei, tô indo embora hoje. tchau.

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sobre o que uso no peito, é um amuleto.
não pra lembrar de nada, nem pra não esquecer;
apenas pra ter o que segurar, apertar, beijar, morder… transferir

o que ele representa não precisa de muito esforço pra lembrar, mas ainda vai precisar de muito esforço pra deixar de lado.